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Pessimismo Gráfico – Xilogravura

Um pessimismo diante a relação com as intuições externas

Um pessimismo alimentado diante do mundo e das pessoas que o fazem, é possível perceber na xilogravura do artista Kirchner cujo um dos títulos é o da obra “Pressão Interna”. Torna-se comovente na forma que se apresentam as mulheres quando em sociedade. A fragilidade das formas alongadas torna-se estigmatizada, pois a postura, as roupas, os rostos das figuras de preto e chapéus, à direita, estão a olhar de forma crítica outra personagem, que se encontra no canto esquerdo. O título incita a uma narração e interpretação de um sentimento que defino como humilhação, pois há no desenrolar da imagem o olhar que culpa, e o encolhimento do culpado. Alguém se torna deslocado ao ser motivo de tirania por ser considerado dessemelhante. É grandiosa a arte quando o artista necessita desta transformação: do pequeno quadrado de madeira em uma imagem gravada a partir da sensibilidade. A qual alcança as emoções tangíveis através do olhar do expectador. E do próprio artista que faz do seu inconsciente as imagens mais fortes, sensíveis e vibrantes. As comoções que as imagens nos geram trazem à infalível desordem visual, pois a imagem acima nos mostra uma realidade que até os dias atuais são visíveis no quotidiano. O desconcertante olhar sobre o homem contemporâneo que não mudou depois de séculos, torna-se uma visão de
amedrontamento, pelo qual se tende a persistir por gerações. A minha afirmação de que essa imagem do artista Kirchner é tida como um problema social perceptível ainda hoje, poderia ser muito bem colocado como obra contemporânea. Onde o olhar crítico do sujeito de personalidade vaidosa se torna pelo outro sujeito que tem poucos atributos uma agressão. Chegando ser desnecessária a voz acometida, tendo apenas a utilização do olhar agressivo. Fazendo-o diminuir enquanto homem no meio social. Logo a crítica visual se tornaria um retrato humano de gerações que se perdem em diferentes valores, na maioria das vezes monetário, deixando de lado o encontro com seus próprios valores internos, que estão mascarados pelo estado de
ufania. Revendo o contexto do artista alemão, no período do século XIX e XX, tratasse da procura do homem que se torna inerte à reflexão. A apropriação de estereótipos criados pelos grupos, ou valores que devem ser seguidos.

384539_251540301568586_117039175_nDiego A. Fonseca, 2010 “Teu olhar”

Em 2011 quando iniciei minhas primeiras xilogravuras, como a imagem acima cujo título é Teu olhar, critico um valor que faz o homem crer em ser soberbo, onde estar em meio a um grupo se torna um fator importante, e a solidão algo enojado. Essa imagem eu venho aduzir à possível vivência de estar sozinho. Construo um personagem de poucos traços, fazendo-o simplesmente existir por estar só, sem a necessidade do comportamento em grupo. Esses grupos, na verdade colocam o homem contemporâneo como superior ao outro, quando esse outro está fora do grupo. Aparentemente esses grupos tornam a vida menos agressiva, quando ela mesma se faz agressiva. Quando me ponho à frente da minha razão, refletindo na crença alheia que toma decisões na grande massa, e influencia diretamente na vida de muitos seguidores de crenças. Aceitei a solidão e minhas vontades quando fora de qualquer grupo, portanto a vontade se liberta de qualquer razão. No momento abdico a qualquer crença para a minha vida, pela falta de clareza
por uma verdade. Percebo a falta de coerência numa verdade imposta, portanto minha análise gráfica se junta à minha preferência literária e ao ímpio do meu ser. Onde a solidão se torna visceral para o crescimento humano, pois para mim a reflexão da vida é a libertação de pensamentos para um conhecimento do homem para o homem. “Um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva… Aquele que considera tudo de um ponto de vista crítico… O niilista é uma pessoa que não admite nenhum princípio sem provas.” O escritor Ivan Turgueniev, em seu livro Pais e Filhos relata pela primeira vez a existência do niilismo. Nietzsche quando fala de grupos de massa e humanidade mostra uma preferência ao estado niilista. Se niilismo é a negação a todo grupo, eu também
nego a associação a qualquer grupo. Essa solidão presente no homem pode vir a ser de total veemência quando enfatizada a reflexão de uma existência. Kirchner retrata a vaidade e a condição do homem e seus valores insignificantes. Assim como as minhas indagações na xilogravura, ao me por numa crítica à falta da reflexão do homem quando faz parte de um grupo. Esse niilismo do qual falo, está presente em meu trabalho gráfico de 2011. Ou
seja, só se pode estar num grupo quando se tem os requisitos exigidos por tal grupo. Ao ser diferente do grupo, existe a motivação para que haja a recriminação do sujeito fora do grupo pelo grupo. Falo de niilismo, na medida em que desenvolvo a imagem gráfica. A ininterrupção da devastação dos valores são expressados na xilogravura, já como a representação da solidão do homem. Uma construção de novas e imprevisíveis interpretações de valores. Não poderia existir, um demolir para depois reconstruir, pois viria antes a ser uma aniquilação para uma reconstrução total do ser humano. Que se fazem simultâneos, sobre o qual a repetição e a diferença, a satisfação e a insatisfação, no gozar e no querer-mais, tornando a vida nova, fazendo-a nascer do zero impossível. Em tornar a ser possível uma nova compreensão de valores, que tornariam o homem um ser superior, mas igualitário ao seu próximo, sem a mesquinhez da superioridade de poder, viria a ser o ser solitário. “Um passo a mais será ainda necessário na medida em que, para Nietzsche, o que realmente subjaz à criação e à destruição dos valores são as forças e as relações de forças que não cessam de se superar, de se recriar, de se repetir, de se renovar, de se excluir e de se incluir numa dinâmica recíproca que permeia, invade, domina e determina toda a realidade, todo o existir, todo o ser.” Tento mostrar nas imagens das xilogravuras a razão do ser quando está só. Pois esta razão se torna contra as prisões emocionais. Toma as rédeas da vida humana. E faz com que os seguidores desses grupos de comunicação dêem a própria vida para estar nesses grupo. Eu acredito que seria uma grande perda para o desenvolvimento do próprio ser humano, ou seja, os grupos oprimem o desenvolvimento do homem, e os fazem acreditar que a entrega da identidade, seria para uma iniciação para uma sociedade superior. Portanto a crítica que estabeleço é por esse atraso que acredito ser, pela entrega, levada ao extremo de uma doutrina que pode arrastar o homem para o caminho da decadência humana, ele é condicionado a uma virtude que talvez nem seja a que é desejada. Desta forma limitando o pensamento do sujeito, deixando-o com amarras no seu direito de reflexão sobre a vida. Ao tratar dos grupos de comunicação nesta pesquisa, quero que a minha crítica se permeie nos sentimentos de solidão, ou seja, a vida se torna mais digna quando refletida nos seus significados e a procura do eu interior se torne fundamental para a existência coletiva. Essas respostas não se tornariam de importância vital, mas uma mera reflexão da existência, sem que a dedicação a um grupo oprima as vontades estabelecidas pelo ser. O exemplo que coloco de Nietzsche, no trecho citado no parágrafo abaixo do livro Assim falou Zaratustra, meu apoio se dá quando critico esse medo da solidão hoje. O filósofo coloca o personagem leão como um homem comum, e o dragão como sendo um Deus que exige ser venerado. Um Deus que acredita ter criado todos os valores, e exige uma veneração pelos seus feitos, sendo assim, o leão (o homem) pode ter deveres, mas não poderia querer exigir nada. Porém o leão não “pode” querer inventar valores, mas poderia criar uma nova emancipação desses valores coletivos, e enfim criar novas estimas para a vida. Desta forma o homem se torna incapaz de tomar a frente de sua própria vida, e é regido por doutrinas que se impõem como voz superior. Essa incapacidade vem pelo medo da solidão, e com essa ideia, o ser incide a seguir um grupo. “‘Tu deves’, assim se chama o grande dragão; mas o espírito do leão diz: ‘Eu quero’. O ‘Tu deves’ está postado no seu caminho, como animal escamoso de áureo fulgor; e em cada uma de suas escamas brilha em douradas letras: ‘Tu deves’. Todos os valores já foram criados, e eu sou todos os valores criados. Para o futuro não deve existir o “eu quero!” Assim falou o dragão… criar valores novos é coisa que o leão ainda não pode; mas criar uma liberdade para a nova criação, isso pode-o o poder do leão.” Quando eu desafio o tema solidão em algumas das minhas gravuras, tratasse de uma questão de vida ou morte e destino coletivo. Essas imagens que produzo não dizem respeito diretamente a fatores que ficam explícitos ao sugestivo niilismo em contraponto à contrariedade dos grupos de comunicação. O engano que o homem constrói diante do grupo regente, desmorona sobre ele quando ele se percebe aprisionado. E a solidão que está presente até mesmo no seu fim, traz a ele uma percepção do princípio do seu interior contemplativo. Assim essas reflexões são relações que o sujeito, junto ao seu consciente, começa a sentir quando a existência é apenas fazer parte de um grupo. E assim parto das emoções mais tangíveis, para a criação das minhas xilogravuras. Em hora sonhos que antecedem um fim, hora o fim que já ocorreu e o isolamento que perpetua no seu consciente. Esse fim que cito permanece na deriva do desconhecido, quando coexiste com a própria vida, assim permanecendo indecifrável seu destino, mas sendo ele continuamente solitário.

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