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Sobre a obra – Xilogravura expressiva

descobrir a razãoDiego A. Fonseca, Xilogravura, “Descobrir a Razão” 2010

A imagem acima aborda um caráter íntimo enquanto sonho acordado, um devaneio. Logo a partir duma imagem que aplico na madeira de forma espontânea, a espacialidade se torna uma visão de dois mundos, ou seja, o centro da imagem tomando total forma de um rosto feminino. A essa imagem inicial se aplicam outras formas que a fazem dentro deste mesmo rosto que domina a imagem de maneira sutil. Entretanto a imagem principal está em segundo plano, pois a grande força dessa gravura está nas duas personagens sentadas, no primeiro plano central. Acima a lua que se torna um momento presente nas duas personagens centrais, entretanto inexistente, e logo ao lado direito um sol que se faz parte fundamental do pensamento de dois mundos. Ou seja, esse mundo escuro eu faço como representação da morte, do reencontro, mas mesmo assim um mero sonho, um devaneio, uma ilusão que machuca a interioridade. Quando permito a imagem do rosto ser iluminada por um sol, logo trago para o plano presente a vida como ela permanece, amedrontada, sem sentido, solitária, desde o conceitual da razão do sozinho. O sujeito na imagem, que se permitiu ter um devaneio, está à deriva nos seus pensamentos e esquece que seu dever está em querer. Esse dever de querer é no sentido de excluir esses sonhos impossíveis, tornar a vida um estudo diário para o crescimento intelectual. Diminui a chance de se pôr ao conhecimento do seu próprio sentido vital, o destino improvável. Com a minha ligação, sobre a morte, a vida e o presente, longe da imaginação, se torna forte quando trato meu trabalho gráfico como efêmero. A minha xilogravura transitória se dá nos motivos de que o tempo passa, e assim como Kirchner, eu também estou na minha contemporaneidade, e para mim, essa palavra torna tudo efêmero. Assim sendo, afirmo que a colocação de Nietzsche, no trecho abaixo, em questionar o querer estar ajoelhado, para ter esperança, desaba a verdade de toda a razão que o ser pode construir quando grupo. Quando o escritor se direciona ao falar do mais sábio que se deseja estar num mundo em que se pode ajoelhar, em gesto de clemencia, somente ele vive nessa comunhão, e nela viverá.
“Chamais ‘desejo de verdade’ ao que voz impele e incendeia, a vós os mais sábios…Quereis ainda criar o mundo perante o qual possais ajoelhar-vos: é esta a vossa última esperança e a vossa última embriaguez…”
Utilizo o termo Xilogravura Expressiva, em meu trabalho, para determinar o fazer espontâneo do gestual na gravura, ou seja, o ato de gravar se torna algo acima da ideia, acima de qualquer estado a não ser o emocional. Busco uma autenticidade de identidade, ou seja, veto o estudo do desenho e parto do espontâneo nas minhas xilogravuras. O gestual para mim torna-se de importância vital, é um respirar imagético de poesia. Genuinamente humano vindo eu a ser liberto da emancipação repreensível da razão, quando eu, o ser que possui propriedades indefinidas de pensamento, torna-se livre da razão e tornasse refém da vontade. Assim como na citação abaixo de Schopenhauer, jamais poderia ser o princípio ou o fim, mas sim, o verdadeiramente existencial do tempo de cada motivação para a vida. As vontades e conformidades tornam-se extintas de pensamento primário quando a razão torna a ser minha realidade de suportar a vida.
“O conhecimento se liberta da servidão da vontade: justamente por aí o sujeito de tal conhecimento cessa de ser indivíduo, cessa de conhecer meras relações em NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra, Martin Claret, 2004. p.9515 conformidade com o principio da razão, cessa de conhecer nas coisas só os motivos de sua vontade”.

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