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A busca dos sentidos empíricos na xilogravura expressiva

Se ocupar da atividade que faz exprimir as mais abundantes críticas ao meio vivente, tornaria a realidade mais real. Se embevecer de vinho ou da poesia sem cessar, traria maior tranqüilidade na questão do sentido da vida. A busca de algum sentido significativo para seguir em frente, como arte-plástica, música, poesia, ou até onde for possível, tornaria tudo mais suportável e possível. Aquele tédio dos homens inadaptados à realidade quotidiana, aquele vago nostálgico da alma que se consome em desejos estéreis, percebe um fim mais inevitável e fadado pela angústia. Essas obras poéticas como as de Baudelaire se caracterizam pela inteligência crítica do destino do ser humano e desespero da incompatibilidade com a vivência diária. Dessa linha contextual da arte xilográfica de Kirchner coloco possíveis pontos pessoais sobre o princípio do meu trabalho gráfico. Tanto em estética como pensamento idealista, junto aos autores literários que tratam dessas ideias que questiono baseando fatos de época, que viveram as mesmas realidades do artista Kirchner. Desta maneira em 2011 quando inicio a xilogravura, concentro-me nas questões abordadas até então, dedicando meu trabalho essencialmente ao espontâneo. No entanto a minha procura se torna pessoal, sem o pensamento de atingir o expectador, para que eu encontre a visão para um novo fim. Na citação abaixo do artista Emil Nolde, proponho o mesmo sentido na minha pesquisa gráfica, mas enquanto as imagens criadas por mim não encontram outros olhares, ou seja, o expectador, essa busca se torna uma visão solitária de caráter solitário.
“Com os meios do impressionismo pareceu-me ter encontrado um caminho, não uma meta… Eu gostaria tanto que minhas pinturas fossem mais, não apenas um entretenimento belo e casual, não, que elevem e emocionem um acorde de vida e da existência humana.”

Esse caráter humano, solitário que complemento no início de uma série de imagens produzidas no início do ano de 2012. Como por exemplo, a xilogravura acima intitulada Coincide, trato o caráter do homem que toma a consciência como seu crescimento sentimental. Ou seja, a dúvida da vida que se torna longa e tenebrosa diante dos pensamentos criados pela razão aprisionada, a partir de verdades ditadas como regras. Onde o pensamento livre é criminoso e deliberado por seres que clamam pelo poder acima dos outros seres. Nessa xilogravura existem dois personagens, sendo que o da direita se torna principal, pois quando olha para cima se depara com seu próprio interior de crescimento inalcançável. Coloco esse inacessível crescimento a esquerda, como imagem primária, pois se trata da representação do sentimento da outra figura, onde as duas trocam olhares que incidem numa procura de um eu interior significativo. O dia se torna noite, penumbra que assombra as almas frágeis, a autenticidade se encontra com a madeira abandonada. Então a gravura tem por si só uma atmosfera que dá a força necessária para que eu siga em frente em minha pesquisa, partindo agora para uma busca mais exata, como a felicidade. O meu pessimismo é inegável, porém com a contínua busca sobre algo que signifique para minha vida ser vivida, trago a tona o tema Aonde encontro, Procuro felicidade. Essa procura na minha pesquisa se torna algo agora definitivo, pois a vida que procuro revelar a mim mesmo pedindo visceralmente por sentimentos hoje desconhecidos, mesmo eles vindos das minhas tristezas. Esses sentimentos desconhecidos atingem a minha autenticidade de procurar a luz enquanto me encontro na sombra. Assim eu estou à procura do meu espaço, das minhas vontades, dos meus amores, das minhas memórias.

“Veio a primavera e a Natureza começou a falar pelo murmúrio dos riachos e dos arroios e pelo sorriso das flores; e a alma do Homem fez-se contente e feliz.”

nada consigoDiego A. Fonseca, Xilogravura, “Nada Consigo” 2012

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