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Inquietação – Xilogravura

A inquietação de Goeldi diante do mundo está presente em toda sua obra. A sua dedicação à arte o fez perceber o quão trágico é a vida do homem. Goeldi, na verdade é um eterno solitário. A citação abaixo diz respeito ao seu pensamento diante das inovações, onde a necessidade de expressão faz o artista.

“Fala-se muito hoje em inovações, em abrir caminhos, etc… Mas não se devem confundir experimentos técnicos com a verdadeira inovação. Todo artista realmente criador inova, e isso porque ele amplia seus meios técnicos na proporção de suas necessidades de expressão.”

000125_GOswaldo Goeldi. Briga de Rua, 1930. Xilogravura.

“Com a procura de uma linguagem de comunicação, o artista é hoje uma voz importante, vital, neste caos. Vivemos numa das épocas mais desastrosas e complicadas do mundo e isso se espalha também na obra de arte. Os artistas têm de lutar. É o artista o único homem capaz de ser sincero e conseguir uma linguagem capaz de transmitir sentimentos que podem ser um apelo a uma nova fraternidade.”

Oswaldo Goeldi foi de excelência criadora, enquanto viveu no caos do seu tempo. Assim nas suas xilogravuras trouxe a força do seu interior, e não teve medo de nos revelar seu ser. Mas ele como artista pode inovar, criar, pensar, talvez não tendo uma vida como sonhou, mas uma vida que escolheu ter, o artista, Goeldi. A minha dedicação está no achar, no conhecer algo que faça parte de mim. Pois seria possível um conhecimento independente da experiência a partir das impressões de um sentido que sente, e esse sentimento independente pode vir a ser um pensamento mais próximo do egoísmo. Esse sentimento que utilizo como egoísmo, é quando abdico do mundo dos outros e concentro toda minha criação a partir daquilo que sinto ou que quero sentir. Minhas xilogravuras não estão para serem observadas, ou estarem penduradas em uma parede, elas existem por uma necessidade minha, uma forma que encontrei de liberdade de pensamento para os sentimentos, obscuros ou animadores.

299102_207432132646070_6922997_nDiego A. Fonseca, Xilogravura, “Encontro”

A xilogravura acima mostra a vontade de solidão, só que a força dela esta para um encontro, um sentimento de conforto. A madeira continua sendo aquela rejeitada, inutilizada. Uma nova série de gravuras nasce desse sentimento de encontro, onde esse encontro se torna um olhar para dentro. Esse olhar propõe sentimentos de felicidade, mas às vezes de pura tristeza. Essa ambiguidade de sentir diferentes níveis de sentimento revela a fraqueza que é o existencial.

“Preferiria ser o último dos homens com sonhos e o desejo de realizá-los, do que o primeiro, sem sonhos nem desejos”

Quando Gibran se coloca nesta afirmação citada no trecho acima, ela serve como definição do criador que cria a partir das suas necessidades e o criador que cria para inovar. Ou seja, essa citação se torna uma verdade onde meus desejos e minha vontade estão em criar, porém a inovação não se torna algo de essência primordial. Portanto hoje quando me coloco em frente à madeira com a intenção de feri-la, a mim só existe uma razão de eu estar ali com meus instrumentos e minha vontade, chamada de necessidade existencial, assim a procura do meu existir. E desta forma essa vontade criadora, se torna essa vontade e esse meio que é a xilogravura, uma escolha, por se tratar da maneira que eu encontrei para expressar minha interioridade sentimental.

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