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Gravadores do Brasil

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Oswaldo Goeldi (1895-1961)

“É hoje um dos nomes mais estudados por pesquisadores e historiadores da arte brasileira e considerado um autor para além dos meios em que se expressou: o desenho e a xilo.” Sua carreira como professor começou em 1952 e, após três anos, passou a ensinar xilogravura na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Em 1956, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, foi realizada sua primeira retrospectiva. Sua obra já participou de mais de uma centena de exposições póstumas no Brasil, Argentina, França, Portugal, Suíça e Espanha. Hoje, Goeldi é venerado no meio artístico e suas obras são matérias de referência no campo da gravura no mundo todo.Nas imagens urbanas criadas por Oswaldo Goeldi há uma atmosfera de solidão profunda. Figuras humanas se perdem em ruas, becos e praças mal iluminadas de cidades indiferentes à presença de cada um. Há também em suas gravuras uma atmosfera dominada pelo escuro, só rompido pela luz branca filtrada ou por pequenas superfícies de cor. Em seu imaginário, pescadores, peixes e o mar protagonizam cenas que denotam uma solidão profunda. Suas xilogravuras são emblemáticas do conflito do ser humano e uma das melhores tradições da arte brasileira. Os trabalhos de Goeldi estiveram presentes na Bienal de São Paulo, em quase todas as décadas sendo um dos mais expostos, em toda a história da mostra paulista.

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Lasar Segall (1891-1957)

Segall foi pintor, escultor, desenhista e gravador, trabalhando em madeira, metal e pedra. Segall pertenceu ao grupo expressionista de Dresden, A ponte (Die Brücke). Deixou a Alemanha durante a II Guerra Mundial e passou a viver em São Paulo. Naturalizou-se brasileiro, tornou-se um dos grandes mestres do Modernismo. Suas xilogravuras muitas vezes falam do cotidiano carioca, das mulheres do Mangue, dos negros e das favelas.

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Axl Leskoschek (1899-1976)

O artista, de origem austríaca, era exímio miniaturista e ilustrador de livros como a “Odisséia” de Homero. Leskoschek veio ao Brasil para fugir do nazismo na Alemanha. Aqui lecionou xilogravura formando vários gravadores importantes, entre eles Fayga Ostrower. Leskoschek, assim como Goeldi, foi convidado pelo editor José Olympio para ilustrar livros de Dostoievski.

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Lívio Abramo (1903-1992)

Em 1909, Lívio Abramo começa a estudar desenho com Enrico Vio (1874-1960). Com incentivo do professor segue a carreira artística, fazendo ilustrações para pequenos jornais na década de 1920. Autodidata em gravura realiza suas obras trabalhando de forma rudimentar, em pedaços de madeira encontrados ao acaso. Em 1928 e 1929, faz gravuras em linóleo para o jornal Lo Spaghetto, em que retrata a vida operária em formas bastante simplificadas. No fim da década de 30 entra em contato com as gravuras de Oswaldo Goeldi (1895-1961) e visita mostras de expressionistas alemães, que o afetam pela força e expressividade de sua arte. As xilogravuras de Lívio Abramo expõem as preocupações sociais e políticas do artista.
Clube de Gravura de Porto Alegre

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Vasco Pradro (1914 -1998)

Vasco Prado, gaúcho de Uruguaiana, estudou por curto período na Escola de Belas Artes de Porto Alegre. Com uma bolsa do governo francês estuda na Escola de Belas Artes de Paris. Como escultor participou de várias exposições internacionais em Varsóvia, Roma e Paris, entre outros. Suas atividades como artista o levaram a uma intensa pesquisa sobre a queima do barro e produção das próprias ferramentas para escultura. Vasco Prado destacou-se também como xilógrafo e participou da fundação do Clube de Gravura de Porto Alegre, com Carlos Scliar, em 1950.

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Carlos Scliar (1920-2001)

Nascido em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 1920. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 80 anos de idade em 2001. Já aos 11 anos de idade colaborava na imprensa com contos, poemas e ilustrações. Passou a viajar entre o Rio de Janeiro e São Paulo onde realiza sua primeira exposição. Em 1942 é convocado para a FEB. No ano seguinte está na guerra, na Itália. Segundo Scliar, a guerra o marcou incrivelmente. Volta ao Brasil mas retorna à Europa onde permanece por 4 anos. De volta ao Brasil, divide seu trabalho entre as artes plásticas e as artes gráficas. A partir de 1960 dedica-se exclusivamente às artes plásticas. Scliar, ex-comunista, nunca se desligou das causas populares nem se tornou um descrente da possibilidade de se construir um mundo mais justo.

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Fayga Ostrower (1920 – 2001)

Fayga Ostrower nasceu na cidade de Lodz, na Polônia, em 1920. Chegou ao Rio de Janeiro em 1930, naturalizando-se brasileira quatro anos depois. Na Fundação Getúlio Vargas estudou xilogravura com Axl Leskoschek e gravura em metal com Carlos Oswald. Lecionou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1955 ganhou uma bolsa da Fulbright Comission que a levou a Nova York. Foi professora do Spellman College, em Atlanta; da Slade School, na Universidade de Londres e de cursos de pós-graduação em universidades brasileiras. Sua arte foi diversas vezes premiada e sua xilogravura a tornou internacionalmente reconhecida. Ganhou o Prêmio Nacional de Gravura na Bienal de São Paulo, em 1957 e o Prêmio Internacional de Veneza em 1958.

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Gilvan Samico (1928)

Samico é pernambucano. Seu trabalho de gravador e pintor mescla a expressão fantástica do norte do Brasil aos temas bíblicos. Sua arte extremamente requintada e simbólica é permeada por relações nordestinas como os cancioneiros populares, os xilogravadores de cordel em associações eruditas a temas religiosos. Sua xilogravura é minuciosamente composta por várias matrizes em cores localizadas de modo restrito e preciso.

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Adir Botelho (1932)

Adir Botelho é carioca, gravador, pintor, ilustrador, artista gráfico, desenhista e professor. Em 1951, matriculou-se como aluno na Escola Nacional de Belas Artes. O curso naquele momento era ministrado por Raimundo Cela que foi depois substituído por Oswaldo Goeldi. Adir torna-se assistente dos dois professores entre 1952 e 1961. Com vasta experiência nas artes gráficas, Adir entra para o Instituto Nacional do Livro como técnico. Integra o Conselho de Coordenação dos Cursos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e estrutura o curso de graduação em gravura, implantado em 1971. Sua xilogravura de forte acento expressionista mantém um vínculo permanente com as questões políticas e humanas.

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Newton Cavalcanti ( 1930)

Nascido em Pernambuco, Newton é gravador, pintor, muralista, ilustrador e escritor. Foi aluno de Raimundo Cela e Oswaldo Goeldi na Escola Nacional de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou de inúmeras mostras no país e no exterior. Sua gravura evoca as paixões humanas num forte clima expressionista. Seus trabalhos são marcados pelas fortes imagens do nordeste, da seca e dos retirantes.

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Maria Bonomi (1935)

Maria Bonomi, nasceu na Itália e chegou no Brasil em 1946, quando se iniciou em pintura, desenho e gravura. Gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora, realizou a sua primeira individual em São Paulo, em 1956, e neste mesmo ano, viajou com uma bolsa da Ingram Merrill Foundation, para o Pratt Institute Graphics Center, nos Estados Unidos. Maria Bonomi freqüentou a oficina de gravura em metal no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1959. No ano seguinte, em São Paulo, com Lívio Abramo, fundando o Estúdio Gravura. Suas xilogravuras são expostas em diversos eventos importantes no Brasil e no exterior. A partir dos anos 70, passa a tralhar como escultora, realizando relevos para espaços públicos. Atualmente é curadora de importantes mostras nacionais e internacionais.

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Roberto Magalhães (1940)

Carioca, foi gravador em madeira durante um curto período. Suas xilogravuras registram um habilidoso desenhista e excelente artesão. Roberto explorou o simbólico e o expressivo em temas de batalhas entre seres míticos. Suas figuras são dotadas de grande movimentação, ironia e qualidade gráfica. Sua obra gravada no entanto, se resume a esses exemplares que foram destaque na mostra Opinião 65 e na IV Bienal de Paris quando conquistou o prêmio de xilogravura. Sua paixão pela gravura foi momentânea e hoje o artista a abandonou completamente pela pintura.

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Ciro Fernandes (1942)

Ciro Fernandes nasceu em Uiraúna, Paraíba, em 31 de janeiro de 1942. Começou a desenhar ainda criança. Veio para o Rio de Janeiro aos 17 anos e, desde então, fez várias pinturas, desenhos e xilogravuras, inclusive capas de livros para Orígenes Lessa. Sua obra variada está sempre ligada ao universo da literatura de cordel e hoje o artista atua como ilustrador de obras infanto-juvenis.

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Anna Carolina Albernaz (1943)

Anna Carolina é gravadora, desenhista, ilustradora e professora. Formada no Instituto de Educação no Rio de Janeiro em 1960. Em 1973, estuda xilogravura com José Altino. Em 1989 e 1990, coordena o Núcleo de Gravura da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, EAV/Parque Lage, onde leciona xilogravura desde 1979. Entre 1984 e 1991, dá aulas na Oficina de Gravura SESC/Tijuca e, entre 1991 e 1999, na Oficina SESC/Niterói e Tijuca. Ilustra diversos livros como Do Amor, da Vida e da Morte, de Artur da Távola.

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Rubem Grilo (1946)

Rubem Grilo é agronomo e xilógrafo. Em 1963 muda-se para o Rio de Janeiro onde freqüenta por um curto período o curso de xilogravura, com José Altino, na Escolinha de Arte do Brasil. No ateliê de xilogravura da Escola de Belas Artes é orientado por Adir Botelho. Com Iberê Camargo aprende as técnicas de gravura em metal. Participa do curso de litografia com Antônio Grosso, na EAV/Parque Lage. A partir de 1973, ilustra os jornais Opinião, Movimento, Jornal do Brasil e Pasquim, entre outros. No início dos anos 80 trabalha para a Folha de S.Paulo e ilustra os fascículos da coleção Retratos do Brasil.

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Uiara Bartira (1949)

Uiara é curitibana, bacharel em pintura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Especializada em gravura e desenho na The Art Students League e fotogravura no Bob Blackburn Workshop em New York. Responsável pela formação de uma geração de professores de gravura, pela implantação das oficinas da Casa da Gravura em 1980 e do Museu da Gravura Cidade de Curitiba em 1989/93.

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Luise Weiss (1953)

Luise Weiss é paulista, graduada em artes plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP. Doutorada em poéticas visuais pela ECA/USP em 1998 teve como orientador o gravador Evandro Carlos Jardim. Louise tem grande experiência em projetos gráficos e ilustração de livros como Goeldi – uma história de horizonte. Leciona na Universidade Estadual de Campinas e na Mackenzie de São Paulo. Sua obra acentuadamente poética apresenta um forte contraponto simbólico e expressivo a uma ordem material e racionalista.

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Marcos Varela (1951)

Marcos Varela leciona gravura na Escola de Belas Artes/UFRJ e é Mestre em História da Arte. Sua xilogravura foi premiada no 7º Salão Carioca e recebeu o 2º prêmio de gravura no Salão de Inverno da UFRJ. Com várias participações em coletivas como a Semana da Cultura Brasileira em Porto Rico; Grabado Brasileño em Pereira, Colômbia e ainda na Expressão Gráfica, mostra itinerante que correu o Brasil através do apoio do SESC do Rio de Janeiro.

 

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