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Mestres da Gravura Popular

grv_051_gCícero Vieira. Jesus é pregado na cruz. Xilogravura

A xilogravura tem forte tradição no nordeste do país. Do Ceará a Pernambuco encontram-se mestres dedicados ao ofício de xilógrafo, profissão que se liga diretamente aos contadores de histórias, poetas repentistas e à incipiente imprensa de cordel. Originados em Portugal, os folhetos foram trazidos pelos colonizadores no século XVI. Ao imaginário medieval dos portugueses, os fatos políticos nacionais foram incorporados aos temas religiosos e também às lendas populares.

grv_052_gMestre Noza. Via Sacra. Jesus é pregado na cruz. (1965) Xilogavura

Mestre Noza (1897-1984)

Santeiro e xilógrafo, Inocêncio da Costa Nick, o Mestre Noza, nasceu em Taquaritinga do Norte. Devoto do Padre Cícero Romão foi o primeiro artesão a fazer uma estátua a partir da figura do padre. Aprendeu a esculpir imagens na oficina do mestre José Domingos. Dizem que conheceu Lampião pessoalmente. Além de esculpir santos, fabricava cabos de revólveres, em madeira, para uma empresa do Rio Grande do Sul. No entanto, foi a xilogravura que lhe deu fama, especialmente a série de 22 gravuras em madeira Via Sacra. Esta série foi levada para Paris pelo também gravador Sérvulo Esmeraldo e impressas por Robert Morel. Seguiram-se a série Os Doze Apóstolos e Lampião, gravados em 1962, e editados pela Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará.

grv_053_gJosé Lourenço. Cordel A Lira Nordestina.(1992) Xilogravura

Juazeiro do Norte e a Lira Nordestina

José Bernardo da Silva, partiu de Alagoas em 1920 em direção a Juazeiro do Norte levando na bagagem folhetos de feira que vendia junto com outras mercadorias. Em 1949 adquiriu o acervo do editor pernambucano João Martins de Athayde e a Tipografia São Francisco. O empreendedor mascate passou a imprimir e a vender cordéis, possuía agentes revendedores e mal podia dar conta das encomendas. Essa indústria popular produzia almanaques, um Lunário Perpétuo, orações e novenas. A grande seca de 1958 desequilibrou a frágil indústria de folhetos. A crise foi agravada ainda mais pelo aparecimento de novos veículos de comunicação como a televisão, o clichê fotográfico e a impressão rotativa. A falência da Lira Nordestina levou à venda o seu acervo de matrizes prensas. Depois de muitas tentativas de compra por particulares, em 1988, o estado do Ceará resolveu incorporar a Lira à Universidade Regional do Cariri (URCA). Não há notícias sobre o atual
funcionamento da Lira.

grv_053a_gJosé Lourenço. Cordel A Lira Nordestina. (1992) Xilogravura

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