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Livio era pessimista, amargo. Nem por isso expressionista

No catálogo da exposição das obras restauradas de Livio Abramo, ocorrida em 2001, na Galeria de Arte do Centro Cultural da Embaixada Brasileira, no Paraguai, Olívio Tavares de Araújo assina a apresentação do artista e reafirma a vocação humanista de Livio como característica que se contrapõe ao rótulo de expressionista e a aproximação com o cubismo. Seguem trechos dessa publicação.

(…) ” Nem em um sentido ou em outro pode-se dizer que Lívio Abramo tenha sido realmente expressionista, em qualquer fase da carreira. Por mais que sua gravura participante dos anos 30 seja enfática, revela uma organização até remanescente, em certos momentos, do cubismo, feita de contornos e incisões definidos e seguros, e de uma precoce geometrização que depois se manifestará plenamente na obra paraguaia. Quanto a sua visão pessimista da vida, convém não confundi-la com uma Weltanschaung desesperada e niilista. Era um humanista e acreditava nas infinitas possibilidades do ser humano, tanto que se engajou na luta concreta para redimi-las.(…) sua vontade de mudar o mundo corrigindo injustiças, tudo isso continha, sem dúvida paixão, mas era um apaixonado , não um passional. Predomina em sua obra a consciência de que está construindo um fenômeno formal, objetivo, autônomo, dotado de regras próprias, não uma confissão pessoal ou um exorcismo, e de que l´arte è cosa mentale, como dizia Leonardo da Vinci”.

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