Deixe um comentário

O uso do desenho e da gravura sobre fotografia como práxis poética da memória

images

Dentro da experiência prática, o gesto de imprimir possibilitou uma associação mais direta entre a linguagem da gravura e a memória. O ato de gravar é um trabalho quase artesanal, no qual não se sabe ao certo o que a imagem irá revelar; é uma dialética entre velar e revelar. Na gravura a poética nasce ou é intensificada pela prática. Algumas técnicas, incorporadas à fotografia, tentam driblar seu traço de real, que é tão defendido em sua natureza histórica; mesmo nos idos do final do século dezenove, quando os pictorialistas entravam em contraposição sobre o estatuto da fotografia enquanto obra de arte, rebuscando-a aos moldes da pintura clássica em busca de uma “legitimidade” artística. Segundo Philippe Dubois (1990), em “O ato fotográfico”, a fotografia pertenceria a ordem do índice, uma operação fisicoquímica que surgiria a partir de um referente real que seria transposto para sua natureza bidimensional. Mesmo não comportando este espaço real, a foto traria em si um traço de realidade. Com a fotografia digital e os mais variados softwares de manipulação, estes questionamentos apenas se expandiram. A discussão que ocorre na contemporaneidade não se encerra na fotografia tradicional nem aos meios técnicos que a ela se aderem e sim no trânsito, no ir e vir do olhar do objeto fotografado, sem abolir sua natureza indicial, que é inerente a toda fotografia, mas expandindo e pluralizando os fios que tecem suas relações. Intervenção sobre fotografia 2010 Pensando a imagem como processo de subjetivação inacabado, proponho a interferência do desenho e da gravura nos espaços apropriados da fotografia. A intenção para esse este projeto é de usar como suporte algumas imagens cruas de meus avós e outras já desconstruídas digitalmente e pelo processo de impressão. Neste enfoque, o olhar sobre o suporte não busca a ressignificação de uma memória familiar, mas de um processo investigativo que possibilite estabelecer outras relações entre a prática de imprimir e a memória.

Completo: http://www.sbpcnet.org.br/livro/63ra/conpeex/mestrado/trabalhos-mestrado/mestrado-vinicius-borges.pdf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: