Deixe um comentário

Poéticas Informais na Gravura – RJ anos 50/60

GRD_123_edith-behring-1 Edith Behring,

No Rio de Janeiro, entre 1950 e final dos anos 60, a gravura artística viveu um período de ativação como meio expressivo, atualização fundada na visão moderna da arte. As questões do meio expressivo e da estética da abstração, ancoradas nesta visão, ganharam espaço entre os artistas gravadores. Naqueles anos, o momento brasileiro era de muita procura e experimentação nas artes plásticas. No final dos anos 50, a questão dos suportes mobilizava os artistas e os debates críticos. O rompimento dos suportes tradicionais por diferentes formas artísticas inaugurava outras possibilidades criativas. As experiências abstracionistas ganharam vulto e desdobramentos, no Brasil. Tal discussão ganhou corpo especialmente no que diz respeito às manifestações do abstracionismo construtivo. Parte representativa da crítica, envolvida com a via racionalista da abstração, colocou à margem, as poéticas do Informalismo. Quase como um descaminho de nossa produção artística, tais poéticas não eram colocadas em discussão ou ainda, se abordadas, muitas vezes, foram deslocadas de seu quadro conceitual. A nosso ver, a gravura artística teve responsabilidade considerável em relação às manifestações singulares do Informalismo no Brasil. O estudo das poéticas informais passa pela consideração de sua natureza. As circunstâncias de um pós-guerra concorreriam para adensar os significados desta arte: a liberdade recuperada e a conseqüente renovação da humanidade.A volta à sensibilidade, à subjetividade ganhara corpo em meados dos anos 40 nas grandes metrópoles como Roma, Paris, Tóquio e Nova York. Importa situar a arte informal no Brasil, suas especificidades e suas relações com as manifestações internacionais. Há lacunas a preencher na historiografia do abstracionismo no Brasil. O projeto de pesquisa, que ora nos mobiliza, busca identificar e analisar as manifestações da tendência informal e suas especificidades através da gravura artística produzida no Rio de Janeiro, nas décadas de 50 e 60. Para atender à ambição deste projeto, impõe-se o mapeamento dos artistas-gravadores e suas obras mais significativas na tendência, visando uma análise de suas potencialidades técnicas, históricas e estéticas. Interessa-nos também a identificação e análise da natureza das manifestações da abstração de caráter sensível no conjunto de obras e artistas selecionados e sua relação com a produção internacional, em especial, a francesa. O contato com o gravador franco-alemão Johnny Friedlaender, orientador do curso inaugural do Ateliê livre do MAM-Rio, em 1959, e a coordenação deste núcleo de ensino por Edith Behring, na década de 60, sua ex-aluna em Paris, em meados dos anos 50, revelou uma parceria com implicações na atualização da prática da gravura realizada desde os anos 50 ao final dos 60. Muitas experiências marcaram as atividades deste núcleo de ensino da gravura. Esta relação com Friedlaender possibilitou outra expressão visual para a gravura em metal até então produzida entre nós, sendo identificáveis os empréstimos presentes tanto na orientação do Ateliê do MAM-Rio quanto nas obras de gravadores atuantes no Rio de Janeiro, egressos deste núcleo de ensino. Inclui-se também análise e a organização dos textos críticos sobre a abstração informal, derivados da produção gráfica em questão, contribuição para o conhecimento das questões que subjazem nos múltiplos entendimentos desta tendência. A prática da arte abstrata no Brasil, nas décadas de 50/60, apresentou igualmente uma multiplicidade diferenciada na estruturação das obras como nos grandes centros internacionais, ora atribuindo à razão o papel essencial na ontologia da obra(Concretismo e Abstrações geométricas), ora elegendo na subjetividade expressiva do artista sua dimensão fenomenológica e psíquica (Informalismo e Neoconcretismo). No cenário bélico de disputas pela hegemonia do entendimento e definições das tendências abstratas, observa-se que a análise e a crítica às obras inseridas na arte informal, assume natureza judicativa de sua pertinência diante de um projeto de autenticidade da arte brasileira, proposto pelos engajados artistas e críticos da tendência racionalista.

estudante-farnese-de-andrade-1966 Farnese de Andrade

Texto completo: http://www.cbha.art.br/pdfs/cbha_2009_tavora_maria_art.pdf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: