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Gravura não-tóxica e gravura digital: o hibridismo na construção poética

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Gravura não-tóxica e gravura digital: o hibridismo na construção poética Dentre os métodos alternativos que propomos investigar de gravura não-toxica analisamos especificamente o uso de filmes fotopolimeros e bases acrílicas na gravura em metal. No processo de investigação das práticas de atelier, cada participante do grupo de pesquisa, experimenta suas poéticas, e chega a resultados que vão sendo compartilhados com o grupo a fim de criar uma grande rede colaborativa. Um universo de leituras, e igualmente os resultados ora semelhante, ora distinto contribuem para o desenvolvimento tanto da técnica, quanto dos discursos poéticos dentro do campo e de cada pesquisador. A gravura como objeto de criação passa a ser construída a partir do desenvolvimento dos investimentos realizados na pesquisa, onde as experimentações geram impressões, uma multiplicação de imagens que resultam na formação do discurso poético. O uso desses materiais alternativos nos possibilita ter resultados compatíveis aos da gravura tradicional. Os produtos aqui experimentados são de uso doméstico. Viável por ter baixo custo, por serem menos poluentes, por gerar em pouco resíduo pós-uso, e por estarem disponíveis na maioria dos mercados, são acessíveis às condições reais de trabalho do artista-pesquisador. No caso da tinta para gravura existem: as ecológicas, à base d’água; lembrando que, a tinta para gravura tradicional con tém certo grau de toxidade. Para que essa inovação tecnológica possa ter o impacto desejado é preciso conscientizar os artistas gravadores de que estes correm sérios riscos, e que o meio ambiente também é afetado. Buscamos meios para difundir esta linguage m artística alternativa, tornando-a mais acessível a um maior número de artistas: a lternativas de baixo custo, resultados de alto nível, com baixa toxicidade e respeito ambiental. Esta difusão se dá por meio de publicação de artigos, e apresentação de trabalhos em congressos e work-shops, material áudio-visual que está sendo produzido e pelo contato direto com artistas gravadores. Esses materiais alternativos trouxeram a redução no grau de toxidade que envolve os materiais tradicionais. Assim, não só conseguimos reter os resíduos tóxicos que acarretam a contaminação ambiental, sem perdas nos resultados (imagens originadas) e consequentemente com ganhos, já que os novos meios nos 1546 levam a pensar em novas saídas, propiciando interferências positiva na construção poética que daqui advêm. Observamos como fato na instauração da obra que, ao utilizar procedimentos técnicos para materializar conceitos (o quê), o artista o faz à sua maneira (como) manifestando sua subjetividade ao equacionar e operalizar sua produção. A obra é geradora de linguagem através da elaboração de códigos formais, abstratos ou concretos, e do processamento de significado (REY, 2002, p.131). Ao construir procedimentos técnicos, em busca de saciar as hipóteses impostas pela pesquisa dos meios, o artista vai construindo argumentos que evidenciem suas ideias. A ordem no qual organizamos nossos procedimentos resulta em distintos resultados que passam a incorporar a escolha do gravador. Ao selecionar a imagem que vai ser gravada, neste caso uma imagem da paisagem urbana, uma casa do período eclético, em ruínas no centro de Pelotas, nos remete a percursos, entradas e estadias no deambular da pesquisa. E o artista como o pesquisador encontra sempre novas impressões sobre a mesma imagem. A imagem gravada na matriz de metal a partir dos processos fotossensíveis é entintada e impressa, como é normalmente feito na gravura em metal tradicional. Essa série de procedimentos, entre a gravação e a impressão, permite que o artista altere e incorpore novas formas de obter a imagem, dentro de um mesmo processo. Isso permite que o resultado seja sempre variável. Essa mesma imagem que é gravada no metal submetido à luz, é impressa digitalmente em uma folha sobrepondo a impressão anterior, ou criando um suporte para a próxima impressão. Essas escolhas colaboram para a criação de distintas imagens originadas de uma mesma imagem matriz. Produzindo novas formas de ver o mesmo objeto fotografado por infinitas vezes, um jogo com as imagens e das imagens diante do espectador que compreende a diferença da impressão e o significado de uma sobreposição, mesmo não tendo conhecimento nenhum sobre impressão gráfica. Vemos que materiais e procedimentos colaboram para a construção do universo de imagens do artista, provocando indicações, suposições e novas 1547 hipóteses para pesquisa, acompanhando o desenvolvimento do processo criativo do grupo.

fonte: http://www.anpap.org.br/anais/2012/pdf/simposio9/kelly_wendt_leandro_silveira_cristiano_araujo_e_angela_pohlmann.pdf

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