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Giorgio Morandi e a natureza-morta na Itália

19f1Sem título, 1931,água-forte sobre papel, 38 x 46 cm

O CONJUNTO das obras exibidas tem como tema central a natureza-morta, um gênero de estudo a que os pintores vêm se dedicando ao longo dos séculos. E Giorgio Morandi (1890-1964) foi certamente o artista italiano do século XX que melhor explorou esse tema.

A expressão “natureza-morta” tem sua origem, provavelmente, no holandês stilleven (natureza em pose), mas apenas em 1870 o termo foi realmente adotado. A partir de 1600, o gênero passou a ter inúmeros apreciadores, mas alcançou o ápice no final do século XIX e início do século XX, com as conquistas formais de Cézanne, o cubismo de Picasso e Braque e os conceitos revisitados de Giorgio Morandi.

Pintor e gravador, Morandi inicia seus estudos em 1907, na Academia de Belas Artes de Bolonha, onde permanece até 1913. Suas primeiras pinturas e gravuras datam de 1911 e 1912 e denotam influência de artistas do Renascimento italiano como Giotto, Uccello e Caravaggio, e de artistas contemporâneos como Cézanne, Picasso e Braque.

Em 1914 Morandi participa da primeira exposição futurista em Florença, ao lado de Carlos Carrà e Umberto Boccioni. Quatro anos mais tarde, ao conhecer Giorgio De Chirico, passa a integrar o movimento da Pintura Metafísica, que defende a tradição clássica italiana contra os movimentos de vanguarda.

No entanto, pouco a pouco Morandi constrói um caminho próprio, singular. O artista passa a investigar o poder expressivo dos objetos do cotidiano, explorando a transparência das formas por meio de recortes intimistas e de uma atmosfera de luz cinza-clara, dentro de um espaço arquitetonicamente construí-do. Para Morandi, a natureza-morta é uma maneira de ser, um filtro através do qual a realidade é lida, interpretada e sublimada. O artista resgata a vida silenciosa da matéria inanimada, transmitindo em cada obra a sensação de que se está diante de algo único e absoluto. Morandi conserva a permanente alusão a uma realidade que está além das aparências. Para ele, o importante é “ir até o fim, até o âmago das coisas”.

Renato Miracco é crítico de arte e Maria Cristina Bandera é diretora da Fundação de Estudos da História da Arte Roberto Longhi, de Florença (Itália).

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