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OTTO DIX: A Obra Gráfica dos Anos Vinte

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“Há coisas que não carecem de comentário.
Para mim, sempre foi mais importante agir do que falar.
Sou um ser visual, não um filósofo.
Por isso, tomo sempre novos rumos em minhas pinturas, mostro o que realmente é a realidade e o que deve ser dito, por amor à verdade.”

Otto Dix

O incomum talento artístico de Otto Dix, nascido na Alemanha, em Gera-Untermhaus, em Turíngia, filho de um metalúrgico, já se manifestava na escola primária, tendo recebido, desde cedo, claros estímulos da própria família. As constantes visitas de Dix ao atelier de um primo artista despertaram no menino o desejo de ser pintor; todavia, foi seu professor Ernst Schunke a pessoa que mais o incentivou. Por iniciativa de Schunke, Dix recebeu bolsa de estudos que lhe permitiu, depois de um aprendizado de quatro anos como pintor de decorações, em Gera, ingressar em 1909 na Escola de Artes e Ofícios de Dresden, onde estudou com Richard Guhr, conhecido e austero mestre. Nas horas de folga procurava se familiarizar com os vários estilos da arte contemporânea. Suas primeiras paisagens deixam refletir uma tênue influência do Impressionismo, apesar de, mais adiante, suas pinturas em pequenas dimensões já trazerem a marca pessoal, inconfundível, de sua obra. Não obstante as iniciais dificuldades econômicas enfrentadas pelo artista, os anos 20 foram, para Dix, um período de criação especialmente favorável. Ao lado das muitas pinturas grandiosas, dos guaches e aquarelas, o artista desenvolveu, então, uma importante obra gráfica, que teve seu ápice no ciclo “A Guerra”.

Em toda a obra de Dix o elemento gráfico, a linha, o contorno e a forma por ele fixada desempenham um papel essencial. O desenho é a base de sua pintura, dos retratos, das paisagens e das grandes composições figurativas, sendo importante como esboço de idéias, estudo de detalhes e, finalmente, como “cartão” do esboço em escala 1:1, quando transferido para a tela antes do processo de pintura.

Participando intensamente dos acontecimentos artísticos da época recebeu influências dos expressionistas, em especial dos componentes do “Der Blaue Reiter” que, em 1909, promoveram a primeira exposição do grupo em Munique. Apesar disso, havia ficado vivamente impressionado com os velhos mestres, que também influenciaram sua produção, ao lado da forte presença expressionista. Fez experiências futuristas, cubistas e dadaístas, até se fixar no estilo da Sachlichkeit (objetividade), que procurara aprofundar desde 1912, seguindo a tradição baseada em Lucas Cranach, Dürer e van Eyck.

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