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A Xilogravura

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Xilogravura é uma conhecida técnica de gravação na qual se utiliza madeira como matriz possibilitando a reprodução da imagem gravada sobre um papel ou qualquer outro suporte adequado, popularmente pode ser comparado a um carimbo, para uma melhor compreensão. A técnica da xilogravura basicamente consiste em entalhar na madeira através de um instrumento cortante ou de ponta afiada formando um sulco desenhando ou até mesmo escrevendo qualquer motivo desejado para que possa ser impressa num segundo procedimento. Esse segundo processo consiste em passar sobre a face entalhada da madeira uma tinta, geralmente através de um rolo de borracha ou algum outro material adequado e tomando o cuidado para que a tinta toque apenas na parte mais saliente do entalhe. Depois em seguida é colocado um papel, pano especial ou qualquer outro material que a tinta possa aderir, para assim obtermos a imagem ou impressões das partes salientes do entalhe.
A palavra xilogravura etimologicamente pode ser definida pela junção de duas palavras gregas “xilo” que pode ser traduzido como madeira e “grafó” que significa gravar ou escrever, ou seja, gravar ou escrever sobre uma madeira. A origem desta técnica de gravação é muito antiga e pouco se sabe sobre o seu nascimento, mas diversos autores consideram que o método de impressão pode ter se originado na China como um sistema para impressão de seus tecidos.
A técnica da xilogravura chegou a Europa através dos povos bizantinos ou islâmicos antes de 1300, como um método de impressões utilizadas geralmente para os tecidos, já que por esse tempo o papel era pouco conhecida pelos europeus. A xilogravura como conhecemos atualmente também se deve a invenção do papel que foi desenvolvido na China no século 2 D.C. e depois espalhou-se pelo mundo bizantino para a Europa Medieval no século 13, onde surgiram as primeiras fábricas de papel. A xilogravura em papel mais antiga conhecida é um exemplar de uma oração budista “Sutra Diamante“, editada por Wang Cheh, na China, por volta do ano de 868. Acredita-se que foi a partir de aproximadamente de 1400, que a técnica da xilogravura utilizando o papel teve seu início na Europa, sendo que uma das xilogravuras mais antigas conhecidas é a “Madonna del Fuoco” que se encontra na Catedral de Forli, na Itália. Outros autores, no entanto acreditam que a técnica da xilogravura em tecidos já era conhecida na Índia desde muito antes, outros afirmam que a estamparia europeia de tecidos já existia desde o século IX. Independente de qual seja a autoria correta, o fato é que vários artistas se apoderam desta técnica para seus voos mais elevados. Um deles é o alemão Albrecht Dürer, que por volta de 1499, iniciou a série “Apocalipse” utilizando as potencialidades da madeira e isso passou a influenciar grandemente toda a arte da ilustração germânica. Outro foco importante da xilogravura foi à época do Renascimento na Itália, com o surgimento de diversas ilustrações de livros. No Japão a xilogravura teve um papel importante, principalmente em Edo, atual Tóquio, por volta do século XVII até XIX, onde as gravuras denominadas de “Ukio-e” se traduziram nas primeiras manifestações para a criação de seus livros. Eles utilizam folhas avulsas e assim faziam tiragens enormes, trabalho esse realizado por vários entalhadores e impressores que eram reunidos em oficinas coletivas, utilizando as cores monocromáticas ou diversas outras tonalidade misturando diversas outras cores. Os artistas japoneses também desenvolveram diversas técnicas de impressão conhecidas por “Sumizuri-e“, “Benizuri-e“, “Nishiki-e“, entre outras. Entre os artistas conhecidos destacam-se Utamaro Kitagawa, Hokusai Hatshuhira e Hiroshige Ando, entre outros. Também na Europa, no século 19 diferentes técnicas de impressão usando uma cor ou diversas cores também foram se desenvolvendo através do uso da técnica da xilografia.

A técnica também teve uma importância muito grande ao ser utilizada para a ilustração de livros, jornais e revistas, e eram impressas em diversas oficinas contando com um trabalho coletivo para atender a demanda dos vários editores. Grandes artistas europeus como Albrecht Dürer, Rembrand e Goya foram exímios gravadores, sendo que suas gravuras foram distribuídas muito mais amplamente que suas pinturas. Na entrada do século XX a xilogravura passou a ser pouco utilizada para ilustração de livros e revistas devido à chegada de outros métodos de reprodução utilizando o clichê metálico que permitia aliar a fotografia à corrosão química dos metais, produzindo desta forma chapas sulcada, nas quais eram utilizadas para as suas reproduções. As grandes empresas jornalísticas, por exemplo, utilizaram dessa  técnica por muito tempo até a chegada recentemente dos novos métodos de impressão, inclusive as digitais. Ao mesmo tempo em que a xilogravura foi perdendo sua importância no campo das impressões de livros e outros materiais, ela também passou a ser de grande uso pelos artistas ou artesões na utilização no campo da arte. No Brasil a xilogravura começou a ser largamente utilizada através da Literatura de Cordel que teve seu início por volta da segunda metade do século XIX, quando os primeiros folhetins brasileiros, que tinha uma característica própria e falavam de temas do dia-a-dia, assim como narravam histórias, lendas, tratavam de temas religiosos, entre muitos outros, começaram a circular. A Literatura de Cordel desenvolveu-se principalmente no Brasil nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e no Ceará e posteriormente foi chegando aos outros estados e atualmente ele está presente em todo o país. Entre os artistas brasileiros a utilizarem largamente a xilografia destacam-se J. Borges, Amaro Francisco, José Lourenço, Abraão Batista e Gilvan Samico, entre outros.

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